quinta-feira, 29 de maio de 2014
domingo, 25 de maio de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
quinta-feira, 22 de maio de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
terça-feira, 1 de abril de 2014
sábado, 19 de março de 2011
Sonho quatro
Sempre sem reparar no rapaz de caracóis, continuei o diálogo com Andrerens. Que bom voltar a ver amigos de há tanto tempo. Não tenho estado contigo. Eu também não, sabes. É natural. Tenho é estado com a Catarina. Está na mesma. Eu acho que está igual. Pois, essa não melhora nem piora. Igualzinha ao que era na escola, quanto a mim. Vamos é afinar isto que está quase na hora. Somos instrumentos de precisão, que raio. Somos bestas do espectáculo, afinal. Cangurus de palco, feras de carga, só estamos bem a caminhar sobre o fio e com os harmónicos ali, pimba, todos no sítio.
O teu já está? Só mais um toquezinho aqui. Embora. Lá está ele a exibir-se mais um bocadinho. Como um melro que dá o alerta, a amiga do rapaz de caracóis ia lentamente insinuando a conversa. Jonatã continuava sem olhar para mim, seguindo o seu raciocínio de costas com costas, como se estivéssemos os dois numa espécie de confessionário trocado, eu a apertar os parafusos e ele embrenhado num murmúrio que só a custo entendi. Têm de conhecer o Jonatã, dizia ela, enquanto o rapaz continuava o recito. “O meu pei, o meu pei, aquilo é que era um pei!”, dizia num atropelo de comoções. Eu, voltado para Andrerens, permanecia em tom de aquecimento.
Sabes que todas as irmãs mais novas dos meus amigos têm o nome de Inês. A sério? Parece impossível, deve ter sido o nome típico das segundas filhas nessa altura. Pois, tens razão, eu também era para me chamar Inês, mas depois tiveram um rapaz. Entendo-te, se tivesse os nomes das minhas avós, seria Libânia ou Emília. Formidável.
“O meu pei construiu esta casa com as duas mãos.” Alto. Isso não são modos de um convidado. Saiba o jovem que esta casa é da minha família. Passaram todas as férias aqui desde os anos 70. Decido-me a mostrar-lhe as fotos desses Verões azarados, ora deixadas sobre os móveis ou bem apertadas dentro das gavetas da cardência.
Já descomposto, Jonatã deita as mãos aos álbuns. “Ele está aqui”. Remexe nos sacos de lojas, perde-se em coisas de escola impecavelmente organizadas, ou plásticos com cartões de boas festas por preencher. “Eu sei que ele está”. Farto da cena, tento lembrar-me do nome.
João.
Não.
Jonathan, digo no meu melhor inglês. Sai pelo arco da varanda para o jardim, já desorientado, ou talvez atraído pelo cheiro a sardinhas. Lá fora, os outros músicos discutem o estado da relva e a hora a que o sol se põe, para que não bata muito de frente quando chegar a altura. Saio também e puxo-o pelo braço. “O meu nome é Jonatã”. Está bem, mas não me desarrumes muito as coisas que a minha mãe tem isso tudo no sítio.
A 18 de Maio de 1980, às 11h30, a lava assentou sobre a colina, exactamente um dia e um mês depois da erupção. Deu um pinheiro e uma macieira.
terça-feira, 1 de março de 2011
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Sonho três
- Boas, Vítor. Penteado novo?
- Toma.
Ao princípio nem vi o que era. Estendeu-me só a mão fechada.
- No princípio do mês, trato sempre de correr as farmácias e receber os meus 10%.
- O que é isso?
Uma pen. Não percebi. Não lhe pedira nada.
- Está tudo limpo, é só ligar. Tens aí tudo o que precisas. Além disso deixei o meu número directo, se estiveres aflito.
Do outro lado da janela, um beija-flor cruzava a cacimba da manhã para ir trabalhar.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Sonho dois
O fecho aberto sobre o peito mostrava o fio de prata e falávamos como velhos conhecidos. "Esta música faz-me lembrar". "Pois é, não sabia que também que era crítico musical". "Ora, sabe que". Da única vez que nos cruzáramos na sala das facturas, não tinha reparado em como era atraente. Os aros compridos e dourados nas orelhas eram dignos de uma colónia de macacos equilibristas e realçavam-lhe o caramelo dos olhos. "Foi vê-los ao Coliseu?". "Deixe-me explicar-lhe desta forma, se eles tivessem mais uma guitarra eram uma harpa". A TV passa aquele concurso de misses e as eleições de amanhã. Ela regressa com mais uma sandocha.
"Sabe Teresa, estava eu aqui preocupado com a roupa e afinal o seu fato de treino é igual ao meu". "Tirei a primeira coisa que estava à mão". "Já não se faz este modelo". "É verdade". Deita-me um olhar maroto no caminho para o carro. Na aparelhagem ouve-se o Élvio que diz "Eu canto, eu canto, canto a amar", sobre uma versão de "Woodpeckers From Space". Até à próxima reunião de balanço, miúda.
